Pierre Borges - 02/06/2021 17h40 | atualizado em 02/06/2021 17h53

Na última segunda-feira (31), a Polícia Militar apreendeu uma adolescente de 17 anos que se passava por médica no Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, Santa Catarina.
Segundo a emissora local TV NSC, a jovem usava crachá falso e chegou a acompanhar o tratamento de pacientes durante um período de duas semanas em que frequentou o hospital.Devido à pandemia, o hospital em questão está permitindo que trabalhem no local os estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), instituição cujo nome estava bordado no jaleco usado pela jovem. Ela se apresentava como médica-residente. Entretanto, por diversas vezes se contradizia nas histórias que contava sobre si mesma, chegando inclusive a mudar o nome da instituição onde estudava. Além das incoerências técnicas apresentadas pela jovem, foram esses fatores que fizeram uma médica do hospital começar a desconfiar da suposta colega de profissão.
Para fortalecer a mentira, a falsa médica forjou um documento que supostamente precisaria ser assinado para comprovar sua presença no hospital, mas um dos profissionais percebeu que aquele tipo de formulário não existia.
Enquanto esteve no hospital, a menor publicou nas redes sociais registros da rotina da instituição, inclusive de procedimentos no bloco cirúrgico. Entrevistados pela emissora contaram que a jovem chegou passar receitas e até dar alta a pacientes.
– Teve relatos de que talvez ela tenha dado inclusive alta a pacientes, tenha dado recomendações erradas de uso de medicamentos. Essa parte, por si só, já é muito grave. Dar alta a um paciente que talvez estivesse realmente [com] alguma coisa muito grave é inadmissível – disse um entrevistado que não quis se identificar.
Um outro entrevistado disse que a farsante agia como uma profissional, demonstrando sempre muita proatividade e simpatia.
– Como se ela realmente soubesse o que estava fazendo. Eu perguntei qual era a turma dela porque ela tinha UFSC no jaleco. Ela me respondeu que era da turma quatrocentos e algo. Aí eu questionei: ‘Mas essa turma não existe’ – disse o profissional de forma anônima.
Após um dos médicos entrar em contato com a UFSC e descobrir que a jovem não estava matriculada na instituição, a direção do hospital acionou a Polícia Militar.
Em nota ao G1, a universidade confirmou que a jovem não está matriculada na instituição, mas que é filha de um professor da UFSC.
De acordo com a família da jovem, ela apresenta “problemas psiquiátricos”, e essa não foi a primeira vez que ela se passou por estudante de medicina dentro de um hospital. A jovem deve responder por falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão.