Os ministros Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), já estão se articulando para impedir a implementação do voto impresso e auditável, bandeira defendida pelo presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), recebeu recentemente um grupo de 29 parlamentares e presidentes de partido para debater os prejuízos supostamente causados pela adoção do voto impresso. Entre os argumentos usados, o ministro cita o risco ao sigilo do voto e à lisura do processo, uma vez que haveria “manuseio” humano das cédulas.Além de Barroso, que desde o início vem se colocando diametralmente oposto ao tema, os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes também reivindicam a pauta. Os dois integram o TSE e estão “na fila” para assumir a presidência do órgão em 2022.
De acordo com reportagem do jornal o Globo, os três “guardiões da urna eletrônica”, estão atuando em frentes diferentes para derrotar a pauta bolsonarista. Barroso, como presidente do TSE, trabalha no âmbito institucional e junto à opinião pública, com sua defesa incessante do atual sistema. Fachin periodicamente reforça a segurança “inviolável” das urnas, endossando o trabalho de Barroso. Já Moraes trabalha nos bastidores, no convencimento de parlamentares, peças-chave na implementação ou recusa do sistema impresso.
Para se ter uma ideia do alcance da ação de Barroso, só neste mês ele se reuniu com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) ‒ chamado por Bolsonaro de “pai do voto impresso” ‒, e com os deputados federais Cezinha de Madureira (PSD-SP) e Marcos Pereira (Republicanos-SP). O presidente do TSE também esteve com nomes da oposição, como Talíria Petrone (PSOL-RJ), Fernanda Melchiona (PSOL- RS) e Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Enquanto isso, a comissão especial formada na Câmara dos Deputados, avança para adoção do sistema impresso e auditável. Nesta semana, o deputado Filipe Barros (PSL-PR) leu um parecer que torna obrigatórias a adoção do voto impresso e a impressão de cédulas em papel na apuração dos votos. O relatório foi apresentado à comissão na segunda-feira (28).